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SANTA CEIA  

Santa Ceia de Maio de 2010

Família: Vida e Propósitos
Efésios (5:22-33 e 6:1-4)

Quando consideramos a família dentro do contexto do plano de Deus, entendemos ser necessário estabelecermos alguns preliminares:

1) Cremos que Deus existe e é um ser pessoal, isto é, um ser capaz de pensar, sentir, querer; além de ter consciência própria e direção própria.

2) Entendemos que a ação criadora de Deus teve lugar em função de um plano pré-estabelecido.
Sendo ele um ser inteligente, é natural que se pense que ele tenha idealizado as coisas antes de criá-las.

3)
Deus revelou o seu propósito na Bíblia, e o homem foi criado com a capacidade de entender a revelação de Deus.

4) Concluímos que existe um plano de Deus para com a criatura humana
e, consequentemente, para com a família.

Por isso, vamos abordar alguns pontos para reflexão:

I. Um lugar para os encontros

Entendemos que Deus, ao instituir a família, tinha em mente levar o ser humano a ter três encontros:

1. O primeiro encontro: do homem consigo mesmo. Ao ser criado, o homem descobriu que tinha consciência própria. Ele pode fazer distinção entre as coisas.
Os animais do campo e as aves do céu passaram a ter nome. Ele conversava consigo mesmo. Era capaz de entender o significado do espaço e do tempo.

Ele podia, também, estabelecer relações entre causa e efeito. Sem ainda ter passado pela experiência do pecado, pode-se imaginar a extensão e a profundidade do conhecimento que o homem tinha de si mesmo.

2. O segundo encontro: do homem com o seu semelhante. Ao ser criada a mulher, o homem viu que não estava sozinho no mundo. Ao seu lado estava uma companheira idônea, capaz de compreender os seus pensamentos e alcançar os seus sentimentos.

Na mulher, o homem descobriu que havia um ser a ele. Mais tarde, com o nascimento dos filhos, a amplitude dos seus relacionamentos cresceu. Nesse inter-relacionamento familiar, ele ia conhecendo melhor os seus semelhantes e, conseqüentemente, passou a conhecer-se melhor.

É inegável que a experiência do casamento leva o homem e a mulher a um conhecimento do seu semelhante que, de outra maneira, não lhes seria possível. A intimidade existente entre o casal abre caminho para o conhecimento do próximo numa profundidade só ultrapassada por Deus.

3. O terceiro encontro: do homem com Deus. Ainda que não nos seja possível alcançar a extensão do conhecimento que o homem tinha de Deus ao ser criado, podemos concluir, pelo menos, que tinha uma clara noção de sua presença, pois o texto bíblico nos diz que, após o pecado ter entrado na experiência humana, tendo o homem e sua mulher ouvido "a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim à tardinha, esconderam-se” (Gên. 3:8).

O Senhor desejava manter comunhão com o casal ou, em outras palavras, queria ter com ambos freqüentes contatos. Deus almeja manifestar a sua graça, numa dimensão muito grande, no contexto familiar.

Quais são as famílias verdadeiramente crentes que não têm experimentado esta gloriosa realidade?

II. Um Lugar Para as Revelações de Deus

Vamos tecer algumas considerações tomando por base o que aconteceu com Abraão.

Quando o patriarca Abraão - então com o nome Abrão - residia em Ur dos Caldeus, recebeu a convocação para viver em íntima comunhão com o Senhor. Foi esta a ordem que Deus lhe deu: " Sai-te da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei". (Gên. 12:1).

Em função da sua obediência, Abrão seria receptáculo das bênçãos de Deus, pois assim está escrito: "Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção" (Gên. 12:2).

Vemos, também, que Abrão seria abençoado para ser uma bênção, cujo alcance seriam os confins da terra: "... e em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gên. 12:3).

A família cristã é convocada por Deus para viver em íntima comunhão com ele, receber as suas bênçãos e ser um canal nas mãos do Senhor para abençoar outras vidas.

Vocês, pais e mães, que estão lendo estas linhas, saibam que o Senhor está invocando-os a viver em profunda comunhão com ele, a fim de torná-los em bênçãos para o mundo.

Antes que as bênçãos sejam derramadas sobre os filhos, é necessário que o casal se aproprie delas através de momentos de comunhão com Deus, no estudo da Palavra e nas orações feitas a dois.

Mesmo que seja preciso sacrificar algo, vale a pena, numa medida indescritível, o tempo que ambos gastarem na presença de Deus. Dele hão de receber sabedoria, força e capacitação para o cumprimento de sua missão.

As bênçãos hão de fluir para a vida dos filhos e para todos quantos vierem a ser alcançados através das suas vidas.

III. Um lugar para a transferência do legado espiritual

Os pais crentes têm uma herança espiritual a ser transmitida aos seus descendentes. São muitos os textos bíblicos que nos fazem chegar a esta conclusão. Vejamos alguns:

"Tão somente guarda a ti mesmo, e guarda bem a tua alma, para que não te esqueças das coisas que os teus olhos viram, e que elas não se apaguem do teu coração todos os dias da tua vida; porém as contarás a teus filhos, e aos filhos de teus filhos" (Dt. 4:9).

"E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te” (Dt. 6:6,7).

"Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma; atá-las-eis por sinal na vossa mão, e elas vos serão por frontais entre os vossos olhos; e ensiná-las-ei a vossos filhos, falando delas sentado em vossas casas e andando pelo caminho, ao deitar-vos e ao levantar-vos" (Dt. 11:18,19).

"E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor” (Ef. 6:4).

Existem motivos de sobra para que os filhos recebam por herança o legado espiritual que o Senhor entregou aos pais crentes. Um deles é este: "Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele” (Pv. 22:6).

Deduzimos, desta análise, que a educação religiosa deve ser uma constante no lar cristão. Através do culto doméstico, realizado com frequência, dependendo das possibilidades de cada família, a Palavra de Deus pode ser inculcada na mente e no coração dos filhos.

Há muitas maneiras de se realizar esse culto, levando-se em consideração a idade dos filhos e o tempo disponível. Mesmo que não seja possível a sua realização com todos os membros da família presentes, é importante que a Bíblia seja lida em conjunto.

Outra maneira de se instruir os filhos nas coisas de Deus é aproveitar o momento oportuno. Quando uma bênção é recebida, na forma de um presente que chega num momento bastante oportuno, por que não apontar para Deus, que é o doador de todas as boas coisas?

Feita uma oração por um dos filhos e vindo a resposta, é importante chamar a atenção para o fato de que Deus atende às orações. Tudo quanto for feito no lar deve ter Deus como fonte de toda a inspiração.

IV. Um lugar para a integração da personalidade

Num ambiente onde a vida cristã é vivida em toda a sua extensão e profundidade, os filhos vivem num clima de aceitação. Ao nascerem, são recebidos, não como fardos a serem carregados, mas como bênçãos de Deus.

Uma criança que vem ao mundo, trazendo consigo a marca da bênção divina, só pode vir a ser uma criança feliz. O pequeno ser, desde a mais tenra idade, sente se está sendo aceito ou rejeitado.

O ambiente de aceitação faz brotar raízes psicológicas, que vão se aprofundando com o passar dos anos. Os filhos têm liberdade de acesso aos pais.

A presença do pai e da mãe, no lar sempre será motivo de satisfação para eles. Afinal, quando um deles se ausenta, quando falta faz! A disciplina nesse ambiente é fácil. O castigo é necessário, mas as crianças sabem que ele é aplicado na medida justa.

Quando são repreendidas e castigadas, e sabem os motivos, a disciplina passa a ser lembrada, anos mais tarde, sem revolta. Desde cedo na vida, os filhos aprendem a importância do trabalho.

As pequenas tarefas do dia-a-dia podem ser executadas pelas crianças, e elas aprendem a cooperar, preparando-se, assim, para a vida que as espera.

As crianças, nesse clima de aceitação, reconhecem a existência de centros de autoridade, na pessoa do pai e da mãe. Elas veem, também, que a sua liberdade de ação é limitada, mas sempre com possibilidades de crescer.

Bastante cedo, os filhos devem aprender a fazer escolhas por si mesmos. Por que não deixar o filho, já maiorzinho, comprar as coisas de seu uso pessoal? Ao exercer o seu direito de escolha, a sua capacidade de decisão vai crescendo.

É bonito ver os filhos aceitando para si mesmos os padrões de conduta fundamentados nos princípios da Palavra de Deus.

Quando já são grandes, os pais se alegram ao ver que a longa e muitas vezes árdua jornada na orientação dos filhos, foi coroada de êxito, sob a graça e as bênçãos do Senhor.

 V. Um Lugar Para o Crescimento

Façamos, agora, uma visita ao lar de José e Maria. Sem dúvida Deus escolheu este casal para ser o instrumento humano para a ajudar a Jesus em seu desenvolvimento.

Concebido sobrenaturalmente, pela ação do Espírito Santo. Jesus encontrou um lar com ambiente favorável ao seu crescimento.

Somos prejudicados pela falsa interpretação que a Igreja Católica faz da pessoa de Maria.

Se formos capazes de nos libertar desses conceitos errôneos, poderemos perceber a pureza, a dignidade e a candura com que José e Maria se relacionavam entre si. Eles se identificavam em todas as esferas da experiência humana.

Não vemos como, nem por que, excluir dessa identificação mútua os relacionamentos de natureza sexual. Jesus veio ao mundo para viver nessa esfera de tão grande elevação espiritual.

No Evangelho de Lucas, encontramos duas passagens que falam do crescimento experimentado por Jesus:

    " E o menino ia crescendo e fortalecendo-se, ficando cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele" (2:40 ).
    "E crescia Jesus em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens" (2:52 ).

    Temos, aqui, quatro formas de crescimento: físico (estatura), mental (sabedoria), espiritual (graça diante de Deus) e social (graça diante dos homens).

É evidente que os pais crentes devem se preocupar com a saúde dos filhos. Alimentação sadia e bem equilibrada fornecerá os elementos, necessários ao seu crescimento.

Cremos que uma consulta ao médico, antes mesmo da chegada de uma enfermidade, faz parte do plano de Deus para a manutenção da saúde dos filhos.

O mesmo pode ser dito a respeito de uma visita anual ao dentista. A falta de exames preventivos irá resultar, fatalmente, em gastos muito maiores mais tarde.

Já tivemos a oportunidade de considerar a responsabilidade dos pais na transferência, aos filhos, do legado espiritual que receberam do Senhor. Que nenhum pai, ou mãe, crente, seja omisso nesta parte!

Com tristeza, vemos pais se esforçando ao máximo para dar aos filhos as melhores condições para o seu desenvolvimento físico e mental, mas são totalmente descuidados com o que diz respeito à vida espiritual dos filhos.

Não só a igreja é responsável, mas de igual modo os pais tem um enorme peso colocado sobre os ombros no tocante à vida religiosa daqueles que Deus lhes confiou.

 VI. Um Lugar Para a Formatação do Caráter

Desde muito cedo na vida as crianças devem aprender a amar a verdade. Observem bem que não estamos apenas dizendo que elas devem falar sempre a verdade, mas que, de coração, precisam ter amor à verdade.

Por que isto é importante? A razão é que só a verdade oferece uma segurança inabalável. Há um ditado que diz ter a mentira pernas curtas.

Aquele que mente deve ter memória de elefante, para se lembrar sempre das mentiras que foram ditas e não entrar depois em contradição.

Nada melhor do que viver sempre em função da verdade. Ela pode fazer a gente sofrer, mas a dor que ela traz nos edifica. Isto os filhos devem aprender através do exemplo do pais.

Como pode o pai esperar que o seu filho ame a verdade se, ao receber um telefonema, manda dizer, através do filho, que não está em casa.

Infelizmente, a televisão está aí para ensinar às nossas crianças a arte de mentir com naturalidade. Se queremos que os nossos filhos digam sempre a verdade, devemos nós, pais, amar a verdade e sermos sempre verdadeiros.

Outro aspecto muito importante na formação do caráter é o que se relaciona com a honestidade. Os filhos precisam aprender a respeitar a propriedade alheia. Isto se aplica às grandes e também às pequenas coisas.

O primeiro lápis trazido da escola, e a devida aquiescência dos pais, representam, quem sabe, o ponto de partida para o futuro assaltante de bancos.

Mas para os pais poderem ensinar a honestidade aos filhos é necessário que sejam visceralmente honestos.

É verdade que só podemos comunicar aos filhos as coisas que tenhamos assimilado e transformado em parte integrante do nosso ser.

Pr. Joiadas Soares – 09/05/1