As Evidências do Cristianismo
Entre todas as religiões que têm desafiado o homem, no que concerne à sua fé, só o Cristianismo, ao exigir a sua submissão, lhe tem apresentado credenciais de autoridade divina. Há evidências do Cristianismo, porém, jamais se escreveram as evidências do Budismo, Bramanismo ou do Islamismo.
As evidências do Cristianismo são aquelas provas sobre as quais se apóiam os seus fundamentos, como revelação do único Deus verdadeiro. As evidências apelam para a razão, e o Cristianismo submete suas credenciais ao escrutínio da razão, insistindo em que o exame de seus títulos seja feito com cuidado e severidade.
De modo algum exige o Cristianismo que o homem renuncie ao uso desta faculdade, dom de Deus, para tratar do mais elevado e solene interesse de sua vida e religião. Ao contrário, exige que o homem faça uso da razão, a fim de rejeitar as revelações espúrias, estabelecer a fé verdadeira e interpretar corretamente a revelação em toda a sua força.
No entanto, ao exigir que o homem faça uso da razão, o Cristianismo insiste em que esta faculdade não seja empregada de modo irracional. Nunca será demasiadamente severa a investigação, quando se trata de averiguar se Deus fez alguma revelação ao homem e de encontrar também o significado de tal revelação.
Ao resolver este grande problema não se pode deixar lugar para fraudes e enganos. Porém, para decidir a respeito desta questão, as crenças, e não o conteúdo da revelação, é que devem construir o objeto de estudo e crítica.
A hipótese da revelação existe porque o homem adquire conhecimentos que a razão, por si só, não pode alcançar. A revelação começa onde a razão falha e fracassa. Portanto, espera-se que a revelação comunique algumas verdades que o entendimento humano não é capaz de compreender em toda a sua extensão, porém, verdades que possam ser aceitas com base nas autoridades que as declara isentas de qualquer ameaça contra a razão.
Temos o direito de julgar as credenciais do embaixador do céu, mas não o de deixar passar em julgado a informação que nos ministra. Rejeitar uma revelação, no todo ou em parte, apenas o seu conteúdo não corresponde a alguma noção preconcebida a respeito daquilo que ela devia conter ou não, é usar a razão de maneira irracional.
Antes de permitir à autoridade da razão tamanha amplitude, seria preciso demonstrar que a mente humana é capaz de construir uma filosofia do infinito e de formular um sistema ético suficientemente perfeito para provar a existência de Deus.
Porém, se a inteligência humana tivesse competência para realizar, satisfatoriamente, obra de tão extensa magnitude, deixaria de existir a necessidade da revelação. Se tivesse tal poder, há muito tempo os homens já teriam encontrado a Deus, mediante a investigação e, sem qualquer palavra vindo do alto, já teriam chegado a conhecer o Todo-Poderoso.
Entretanto, a razão humana não é dotada de tal poder. O uso da razão, na pressuposição desse poder, é irracional porque faz da mente humana a norma do possível, do verdadeiro e do bem e, tudo isso, exatamente no momento em que confessa sua debilidade e sua insuficiência. Usar a razão assim é tão absurdo, como seria o fato de um homem afirmar que o seu horizonte é o limite do espaço.
A razão está obrigada, diante da verdade – de modo muito solene -, a aplicar estes juízos gerais com muito cuidado e precisão. Antes de denunciar uma revelação como absurda, imoral ou supersticiosa, mediante a aplicação destas provas, deve a razão estar segura de que sua atitude é inteiramente justa, e não semelhante à de um defensor que advoga contra a jurisdição do tribunal e contra a jurisdição do tribunal e contra a validade da lei, pelo fato de o ameaçarem com a condenação.
Todas as influências perturbadoras que surjam do orgulho intelectual, dos extravios ou das excentricidades morais, devem ser excluídas com severidade, quando se esquadrinham as credenciais daquilo que pretende ser mensagem do céu. Portanto, a tarefa da razão, na religião, é determinar as seguintes questões:
- Há alguma revelação por Deus?
- Onde ela se encontra?
- Se ela existe e se encontra algures, qual é o seu verdadeiro significado?
Na elucidação destes problemas, a razão não pode proceder com demasiada severidade, nem ser demasiadamente minuciosa. Estes assuntos são problemas de vida e morte. Envolvem a vida presente e futura. Relacionam-se com o dever e o destino. São por demais importantes para serem tratados irrefletidamente; são demasiado transcendentais para sua vida, para que o homem incorra no perigo de errar, renunciando à razão, ou empregando-a de modo irracional.
Tendo sua vida em perigo, o homem considera estes problemas reverentemente, com consciência e sinceridade, procurando resolvê-los de uma vez, e para a eternidade. O homem não pode, à semelhança dos católicos romanos, transferir esta responsabilidade para um papa infalível ou para concílios infalíveis.
O papa e os que compõem os concílios são homens como os demais. Não há santificação nem ordenação capazes de transformar o falível em infalível. Cada alma deve arcar com sua própria liberdade. Entre Deus e o homem, não há lugar para o ofício de advogado. Cada indivíduo deve encontrar e aceitar, por si mesmo, a verdade de Deus.
Por outro lado, não podemos, como fazem os racionalistas, procurar corrigir a revelação de deus ou resistir a ela baseados em prejuízos próprios. Estes grandes problemas devem ser resolvidos com base nas evidências que lhe servem de fundamento. Ao se chegar ao conhecimento de que Deus se revelou ao homem, deve-se aceitar obedientemente tal revelação e buscar, com toda a reverência, sua verdadeira interpretação.
Pr. Joiadas Soares de Souza
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