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Chefe do Projeto Genoma defende religião

O livro "A Linguagem de Deus", do biólogo e médico americano Francis Collins fala de duas experiências que vivem separadas: a ciência e a religião e reflete a própria luta interior de Collins (chefe do grandioso Projeto Genoma Humano), que passou de ateu a cristão convicto já na idade adulta, após concluir seu doutorado.

Collins usa a própria trajetória para mostrar que é possível compreender as verdades factuais sobre a origem do Universo e da vida e, ao mesmo tempo, viver uma crença religiosa profunda, como forma de romper com o preconceito e desconfiança mútuos que freqüentemente separam as pessoas de fé dos cientistas há séculos. 

Criado numa família não-religiosa (ele e seus irmãos freqüentaram o coral da igreja com recomendações expressas de "aprender música e não prestar muita atenção no que era pregado"), ele descobriu o fascínio da ciência quando era adolescente, tornando-se primeiro agnóstico e depois abertamente ateu.

Mas, ao cursar medicina, Collins se viu surpreendido pela fortaleza espiritual das pessoas com uma crença, mesmo diante das piores tragédias. Foi quando percebeu que nunca havia aplicado a mesma abertura de pensamento que tinha aprendido como cientista à questão da fé.

Diante disso, chegou às mãos de Collins os escritos de C.S. Lewis, romancista norte-irlandês e cristão convertido que fez uma defesa apaixonada da crença em Deus como uma atitude racional. Collins se sentiu especialmente tocado pelo argumento da "lei moral" proposto por Lewis: a busca pela maneira correta de viver, mesmo que em detrimento do nosso próprio bem-estar, seria algo inexplicável sem levar em conta a ação de Deus no coração humano.

Presente em todas as culturas humanas, esse anseio por uma força moral "fora" de nós é, para Lewis - e, após sua conversão, também para Collins -, o mais próximo que se pode chegar de uma "prova" da existência de Deus. Ele é humilde o suficiente para reconhecer que a razão, sozinha, não é suficiente para confirmar esse tipo de crença, mas diz que ela não é inconsistente com o fato de que o nosso Universo, regido por leis finamente ajustadas e favoráveis à vida, poderia ser considerado a obra-prima de uma mente divina. 

No livro, Collins sugere que essas duas tão importantes áreas da vida humana, como a fé e a ciência, passem a ter um relacionamento harmônico.