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ESTUDOS BÍBLICOS  

Enfrentando as Tragédias – Parte I
Livro de Jó

Introdução

Vamos iniciar agora um estudo sobre o livro de Jô, cuja história é um tratado especial que versa sobre questões profundas que marcam a existência humana, como a imprevisibilidade, o sofrimento, as perdas, os fracassos, o abandono e as acusações. Ao observarmos a experiência de Jó, vemos que ele foi analisado sob três óticas:

  • Humana - a ótica do autor do Livro
  • Divina – a ótica de Deus
  • Satânica – a ótica do Diabo

I - A ótica do autor do Livro (Humana): o autor deixa patente que o curriculum de Jó era de uma biografia quase perfeita e destaca o perfil de Jó como um homem que tinha um estilo de vida que impressionava.

  • humanidade: Jó era humano, mas não se tratava de um santo, um seguidor de uma seita separatista. Ele era simplesmente humano. Você também é humano.
  • integridade: na convivência com seus contemporâneos, Jó era absolutamente honesto, incorruptível e honrado. Era um homem completo.
  • retidão: era reto, no sentido de ter estilo de vida pautado pela transparência, vivendo sem máscaras ou atalhos. Jó era cumpridor de seus deveres e mantinha lisura em todos os seus atos.
  • temor: não no sentido de ter medo, mas no sentido de ter veneração ao Senhor Deus e reconhecer a Sua santidade e soberania.
  • santificação: “...e que se desviava do mal”. Se alguma coisa era má ou podia causar-lhe prejuízo moral e espiritual, ele tomava outro rumo. Não fazia alianças e tinha um tremendo senso de discernimento.
  • Prosperidade: Jó era um homem próspero (vs.3).
  • Responsabilidade: Jó encarava o ministério de sacerdote do lar com absoluta seriedade (vs. 2, 4 e 5).

II – A ótica de Deus (Divina):

  • fidelidade
  • singularidade
  • integridade
  • retidão
  • temor
  • santidade

III – A ótica do Diabo (satânica):

  • predileção: Jó só teme porque Deus o fez especial e ele se tornou seu predileto.
  • proteção: “caso não cercaste com sebe, a ele a sua casa e tudo quanto ele tem”(vs. 10)? O diabo sabia que Deus velava por Jó, os seus e tudo o que era dele, de uma forma especial.
  • aplicação: “a obra de suas mãos abençoaste, e os seus bens se multiplicaram sobre a terra”.

Na verdade, Satanás estava dizendo para Deus que assim era fácil servir a Deus, pois o homem tinha tudo. Era próspero, respeitado e tinha uma bela família. Percebe como o diabo está de olho em você, na sua família e naquilo que você conquistou?

Saibam que a disputa entre Satanás e Deus não é mero exercício de trivialidades. A acusação feita por Satanás de que Jó ama a Deus só porque “o tens protegido de todos os lados”, é na verdade um ataque contra o caráter divino. Implica que Deus não é digno de ser amado em si mesmo, que as pessoas o seguem somente porque ganham algo com isso ou estão sendo “subornados” para agirem assim.   

  • Na concepção do diabo, Deus só é amado por manipular as pessoas com bênçãos e promessas.
  • Na sua teoria não há integridade, retidão, temor e santidade quando se perde o bem-estar físico e psicológico.

Aplicação Geral

Lembre-se sempre que no mundo espiritual nós somos observados sob as três óticas: humana, divina e satânica.

  • Humana: É aquela que vê nosso estilo de vida e atesta que a nossa biografia é digna de nota e que a maneira como vivemos nos torna referenciais e diferenciais no meio de uma sociedade corrompida e má. Perceba que até mesmo Jesus se preocupou aos perguntar aos discípulos: “Que dizem os homens quem eu sou”? Na verdade, sua preocupação era extremamente sadia, haja vista seu interesse em avaliar a impressão humana a seu respeito. Jesus sempre esteve atento ao estilo de vida desenvolvido pelos seus seguidores e foi pensando nisso que ele deixou as Regras Áureas do Comportamento Cristão (Mt. 5, 6 e 7).

Perfil Cristológico (Mt. 5:1-10)

  • humildade
  • sensibilidade
  • mansidão
  • justiça
  • misericórdia
  • pureza
  • pacificação
  • tolerância
  • temperança (sal)
  • testemunho

O sermão do monte aponta com clareza irrefutável qual deve ser o estilo de vida desenvolvido por cada cristão e sua prática redundará no reconhecimento do mundo em ver que em nós habita um novo Espírito e que somos nova criatura. “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens” (vs.16). Partindo dessa premissa, é saudável levantar algumas questões a título de reflexão pessoal:

  • que impressão as pessoas têm de nós, enquanto indivíduos?
  • que tipo de pessoas somos na relação social?
  • ao sermos observados, o quanto temos refletido a luz para que os que estão em trevas?
  • que tipo de boas obras nós produzimos?
  • Divina: É aquela que, embora seja a única digna de ajuizar, é capaz de ver em nós, meros humanos, o perfil de fidelidade, singularidade, integridade, retidão, temor e santidade. Deus está nos observando. Como será que ele nos vê?

Será que podemos ser enquadrados na visão de Cristo quando do seu diagnóstico das Igrejas da Ásia? Vejamos:

  • será que abandonamos o primeiro amor? (Ap. 2:4)
  • será que estamos nos desviando da Sã Doutrina? (Ap. 2:14)
  • será que estamos nos tornando tolerantes com o pecado? (Ap. 2:20)
  • será que estamos vivendo apenas de aparência? Ap. 3:1b
  • será que estamos perdendo o fervor? Ap. 3:15-16)
  • Satânica: É aquela que sempre questiona nossa fé, integridade, fidelidade e amor a Deus. E cabe a nós provar quem somos e a quem amamos e que, apesar das circunstâncias, temos que entender que o nosso inimigo joga duro e sem piedade. Seu objetivo é matar, roubar e destruir. Não importa os meios, ele fará tudo para provar a Deus que não o amamos de verdade. (Tg. 4:7).

Se Deus parar de nos abençoar, será que continuaremos a confiar nele? Mesmo perdendo tudo? No pensamento da mulher de Jó, tudo tinha perdido o sentido na medida em que ele, do ponto de vista humano, tinha perdido tudo. Na sua concepção, onde Deus estava? Qual era a razão de ser, sem ter? Assim, o melhor era amaldiçoar e morrer!  

Na verdade, existem nas igrejas muitos cristãos com a síndrome da mulher de Jó: diante das tragédias, o melhor mesmo é desistir. Partir para outra, abandonar o barco, mal dizer, murmurar ou, em última opção, dar cabo à vida. Morrer é a sugestão maligna. Foi isso que Judas ouviu quando caiu em si. Morra, Morra. Seus sonhos acabaram!

Pr. Joiadas Soares de Souza