A Fidelidade divina
“Deus é completamente responsável pela nossa salvação, elegendo-nos, fortalecendo-nos e nos dirigindo a cada dia”.
Introdução
Nesta lição estaremos expondo o fato real de que ao providenciar salvação e proteção para seus filhos Deus evidencia a sua fidelidade. O apóstolo Paulo expressa a sua Ação de Graças pela eleição divina e a chamada de Deus aos Tessalonicenses para a salvação e participação da glória de Cristo.
Nesta ação de graça do apóstolo extraímos preciosos ensinamentos que nos encorajam a enfrentar os reveses desta vida, rejeitando com veemência toda e qualquer apostasia. Aprendemos que Deus nos encorajará e nos fortalecerá na fé e na ação.
I – O Poder Divino (2Ts. 2:13-15)
No presente texto notamos três atitudes de deus pelo homem que denotam o seu poderio e soberania:
- A salvação do homem (2:13). A salvação se inicia com a graça eleitora de Deus porque foi Ele quem nos acolheu para a salvação. Estávamos perdidos em trevas medonhas. Vivíamos no mais profundo abismo, mas a graça salvadora nos alcançou e nos libertou do império satânico. Éramos impuros e fomos santificados em Jesus Cristo. A santificação é condição imprescindível à salvação, por ser um dos seus meios. Paulo neste versículo enfatiza categoricamente dois fatores determinantes da salvação: a) santificação do espírito; b) fé na verdade.
A santificação do espírito nos dá a idéia da operação abrangente do Espírito Santo na vida e no caráter do homem, convencendo-o do pecado e transformando-o numa nova criatura. (2Co. 3:18; 1Co. 5:17). Sem esta santificação processada e operada pelo Espírito, ninguém verá a Deus (Hb.12:14).
“A fé, na verdade”, nos dá a idéia de que os genuínos cristãos sempre exercerão fé na verdade, a saber, a única verdade, a verdade de Deus, personificada em Cristo Jesus, o verbo da vida. Cristo é a verdade (Jo. 14:6). Sem fé na verdade é impossível haver salvação. A palavra expressa com clareza da verdade liberta o homem (Jo. 8:32). Jesus é esta verdade, a perfeita revelação Divina para toda a criatura pela qual os homens devem retornar a Deus, readquirindo a comunhão com seu Criador. Tudo quanto o homem necessita de saber está contido em Cristo. Jesus Cristo é o único caminho até Deus.
- A convocação do homem (2:14). “Vos chamou mediante o nosso Evangelho”. Ao longo da história do homem Deus, através da pregação do Evangelho, tem chamado e convocado aos homens se dobrarem à sua vontade e senhorio, para experimentar a sua graça e seu amor singular. Deus tem chamado aos homens a conhecer o seu poder e gozar das riquezas de sua glória. Mas , por muitas vezes, o homem tem rejeitado ao convite de Deus. O grande conforto da Igreja está nesta verdade preciosa de que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm. 1:16). Através dele é que temos recebido o chamado de Deus para a nossa salvação.
- Glorificação do homem (2:14-15). O clímax da obra divina da salvação é realizado na glorificação dos seus servos. Deus cumprirá cabalmente seus planos. Quando Cristo voltar cada crente “será manifestado com Ele em glória” (Cl. 3:4). Seremos como Ele é. Semelhantes ao nosso Senhor. Paulo usa a expressão “...para alcançar a glória do nosso Senhor Jesus Cristo”, dando a mesma idéia da expressão usada em Rm. 8:17. “Se com Ele sofremos, para que também com Ele sejamos glorificados”. Quando as perturbações e intranqüilidades debilitam nossa fé é importante reconhecermos e visionarmos a glória que nos aguarda nos céus, se permanecermos firmes (Ap. 2:12 e 21:1-7 e 21:11-27) . Segundo Russel Norman Champlin, a natureza da glorificação do homem através de Cristo é a salvação encarnada do ponto de vista do seu aspecto celestial e que ela consistirá da participação do homem na natureza e nos atributos de Cristo (Rm. 8:29 e Cl. 2:10). Vemos aqui com evidência irrefutável a presença do poder de Deus, agindo de maneira espetacular, redimindo e libertando a vida humana, garantindo-lhe a vida eterna.
II – A assistência divina (2Ts. 2:16-17).
Paulo faz uma oração visando alcançar aos fiéis de Tessalônica. Naqueles momentos difíceis era de extrema importância que eles reconhecessem com mais profundidade a bondade divina, como um amoroso pai e a Jesus Cristo como Salvador e Senhor, experimentando intensamente o seu amor, sua graça, conforto e poder.
- Sua origem (2:16). A fonte de poder e força do servo do Senhor origina-se, não em si mesmo, mas em Deus, através da operação do seu Espírito. A assistência e o cuidado que Deus dispensa para com os seus servos tem seu ponto culminante em sua bondade, pois ela faz parte do caráter de Deus (Mt. 19:17), operando em favor de todos os homens (Jo. 3:16; Tg.1:17). A bondade divina opera através do relacionamento paternal de Deus com os homens regenerados. Tornamo-nos seus filhos e como tal gozamos dos privilégios filiais (Jo.1:12). A origem das bênçãos de Deus que nos é outorgada vem da atitude do próprio Deus, que nos ama, nos consola e nos enche de esperança.
- Seu caráter (2:16-17). Deus outorga a seus servos tanto “consolação” quanto “boa esperança”. Quando ele nos consola, sentimo-nos encorajados e fortalecidos. Deus encoraja seu povo. Paulo fala de uma fonte interior de encorajamento que capacita a cada cristão a enfrentar com grande confiança quaisquer provações que possam se levantar. Esta consolação é eterna, no sentido que há de perdurar a totalidade desta era e continuará na próxima, com a vida eterna. A boa esperança, pela graça, enfatiza que as dádivas de Deus dependem de sua bondade e não dos merecimentos dos que as recebem, e, portanto, dá mais base para a certeza de que Ele responderá às nossas orações e súplicas. Na verdade, não poderia haver consolo, conforto e esperança no mundo e na eternidade, se não fosse a operação maravilhosa de Deus, através de sua graça. Nossa esperança tem seus fundamentos na graça de nosso Deus. Há dois tipos de esperança nas Escrituras Sagradas:
- Subjetiva: consiste no senso de expectação, inspirada pela fé, isto é: aquela que aguardamos na eternidade;
- Objetiva: consiste na realidade aqui e agora.
III – A fidelidade divina (2Ts. 3:1-5)
Paulo enfatiza neste capítulo vários aspectos da fidelidade de Deus.
- Deus é fiel em abençoar sua Palavra (3:1). “Para que a Palavra do Senhor se propague e seja glorificada...”. Nesta frase Paulo expressa seu ardente desejo de ver o progresso do Evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo. Os líderes evangélicos hoje devem fazer o mesmo apelo veemente. “Irmãos orem por nós”. Da oração dos santos depende a nossa força. Quando a Igreja do Senhor ora, o Evangelho se propaga e tem maravilhoso progresso. Paulo nos dá dois grandes motivos de oração incessante (vs.1): a) para que a Palavra do Senhor se propague; b) e seja glorificada. Paulo nos estimula a orar por que, através dela, o Evangelho tem livre curso, avança com rapidez, as portas se abrem e as vidas perdidas aceitam a Cristo, transformando-se em instrumentos propagadores da santa verdade. Por meio desta propagação o nome do Senhor é glorificado e a palavra do senhor será glorificada nas vidas glorificadas que ela confere àqueles que lhe obedecem.
- Deus é fiel em libertar seu povo (3:2-4). Um dos grandes obstáculos ao Evangelho sempre foram os homens. Ao longo dos anos o diabo tem levantado “...homens perversos e maus”, que procuram impedir a propagação do Evangelho da Verdade. Eles são instruídos e instigados à maldade pelo “maligno”. Eles lutam desesperadamente para derrotar a Palavra de Deus e seus mensageiros. Para derrotá-los a nossa maior arma é a oração (II Co. 10:3-5). Paulo nos fala de duas formas maravilhosas que Deus usa para nos libertar:
- Nos confirmando como seus servos: Aqui fica expressa a realidade do senhorio de Cristo. Ele é o único Senhor. Nós somos sua propriedade exclusiva (I Pe. 2:9-10). Esta confirmação também nos concede forças para continuarmos na posição de Filhos de Deus. Somos fortalecidos pelo Senhor, na força do seu poder.
- Nos guardando do maligno: Paulo usa o verbo do grego “phulasso”, que significa literalmente “defender”, “proteger” de vários males, de homens iníquos e do próprio diabo (2TM. 4:17-18). Nos Salmos 23, 91, 131 e outros, o salmista expressa a realidade da proteção divina. Sendo seu povo precioso aos seus olhos e comprado com o sangue do Cordeiro. Deus assume a responsabilidade de sua proteção.
- Deus é fiel em dirigir seu povo (3:5). Neste versículo, nota-se que o desejo de Paulo é que os irmãos em Tessalônica sejam conduzidos pelo Senhor a uma vida cristã madura e genuína, caracterizada pelo “amor” e “constância”. Quando Deus nos conduz, Ele mesmo remove os obstáculos que interferem em nosso caminho. Nada pode deter o poder de Deus e sua força maravilhosa. Realmente, a Igreja de nossos dias precisa deixar- se conduzir pelo Senhor, ao exemplo de amor imutável de Deus. O amor é o dom excelente que Deus coloca diante de nós (1Co. 13:1-8). É também necessário que o senhor nos conduza à constância de Cristo, copiando-lhe o exemplo de fidelidade, obediência e firmeza (1 Pe. 2:21 e Hb. 12:1-2).
Conclusão
Deus nos ama, fortalece e dirige nossos pés pelos caminhos da paz, provando-nos a sua fidelidade e a imutabilidade de suas promessas. Temos um deus fiel, por isso precisamos ser firmes, constantes e perseverantes em meio as aflições.
Pr. Joiadas Soares de Souza |
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