O Comportamento Modelo
“A esperança na vinda do Senhor Jesus Cristo é o mais forte estímulo para a santificação da Igreja”.
Introdução
Nesta lição observaremos como é de suma importância a maneira de viver do cristão. Na verdade, a Igreja de nossos dias precisa veementemente desenvolver de forma prática o verdadeiro Evangelho.
Ao longo dos anos, temos notado que as igrejas estão repletas de crentes cheios de teorias. Contudo, o Senhor nos adverte a “frutificar”. Produzir frutos dignos de arrependimento. Ele afirma ainda que é exatamente pelos frutos que seremos reconhecidos. Daí a importância de analisarmos, acuradamente, o texto em pauta e extrairmos dele preciosa lição para o nosso desenvolvimento espiritual, tornando-nos modelos do Rebanho do Senhor.
A seguir, queremos esboçar quatro características de comportamento modelo exigido do verdadeiro cristão:
I- Amor aos líderes (1Ts. 5:12-13)
O apóstolo Paulo estimula a Igreja de Tessalônica a duas atitudes essenciais no comportamento do cristão em relação a sua liderança: 1) respeito; 2) máxima consideração.
Um dos problemas nevrálgicos de nossos dias é a falta de respeito e consideração para com os pastores e o ministério local. Uma igreja madura aprende “a priori” a amar e dar o devido valor àqueles que o Senhor ordenou que os presidissem. Cada membro da Igreja de Cristo precisa aprender a honrar e obedecer o seu pastor e respectivos auxiliares
(Hb. 13:17). Os líderes da igreja devem encarnar o papel de “servos”, não procurando glória própria e sim a do Senhor Jesus. A Ele, a glória eterna.
Contudo, as suas admoestações e exortações devem ser recebidas e acatadas pela igreja porque são de procedência divina. Paulo evidencia que o respeito deve ser demonstrado em amor. Não advém do medo, de uma submissão involuntária ao homem como líder, mas do amor e da gratidão pelo seu serviço prestado no Evangelho do Senhor Jesus.
A igreja, em sua totalidade, precisa reconhecer os pastores e líderes como ministros de Deus, com ministério tríplice de: trabalhar, presidir e admoestar. Este tríplice ministério envolve todos os setores da vida pastoral.
O apóstolo Paulo encerra o versículo 13 exortando o exercício da paz entre membros e liderança. Um ambiente litigioso e contencioso gera separação e divisão na igreja. É necessário praticarmos a paz de Cristo permitindo-a ser o nosso árbitro (Cl. 3:15). Deus deseja uma igreja realmente unida sob a liderança que Ele escolheu e não uma igreja dividida em facções e vários “partidos”. Os pastores devem lutar contra todo e qualquer sentimento de partidarismo em torno de sua própria pessoa, esforçando-se com diligência a “preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef. 4:3).
II – Amor aos irmãos (vs. 14)
A palavra de Deus exorta-nos com freqüência a nos amarmos mutuamente, estimulando-nos desta forma a criarmos um ambiente salutar em nossa comunidade. De que maneira podemos praticar o amor comunitário? O apóstolo nos orienta qual é a maneira correta.
1) Através da admoestação: Há crentes imaturos e insubordinados que não querem submeter-se à liderança da Igreja, tornando-se desobedientes e rebeldes. A estes é mister uma ardente admoestação, objetivando o reconhecimento de seu erro. Aqueles que estão fora de ordem devem ser advertidos com amor e tenacidade para que venham se modelar as exigências pertinentes ao Reino de Deus.
2) Através do estímulo: A frase “consoleis os desanimados” significa literalmente que alguns crentes são fracos, medrosos e tímidos, não tendo confiança em si e no Senhor e, de modo geral, necessitam de “estímulos” a cada tempo. Todos eles necessitam ser fortalecidos, encorajados e consolados, ao invés de serem abandonados.
3) Através do amparo: Os crentes devem “amparar os fracos”, que literalmente significa “dar apoio”, “ficar perto”. Algumas pessoas exigem atenção especial para poderem se desenvolver na vida espiritual, assim, precisamos amparar os fracos, não deixando que desistam da caminhada cristã. Não permitamos que eles abandonem a igreja. É necessário fortalecê-los, ajudá-los e apóia-los com amor.
4) Através da longanimidade: “Sejais longânimos para com todos”. Existem pessoas que resistem a todos os esforços para ajudá-los ou que demonstram uma grande falta de gratidão. De contínuo recaem nas situações e atitudes das quais foram libertas. Exige-se, portanto, muita paciência para continuar a ajudar tais pessoas quando a ajuda repetida parece ser de pouca utilidade. A paciência é um dos frutos do espírito (Gl. 5:22-23). Precisamos ser longânimos para com todos, procurando ajudá-los a permanecerem na fé.
III – Praticar o bem (5:15)
O texto em pauta se opõe a retribuição do mal por mal, ou seja, a atitude que responde a uma injustiça ou a uma ofensa por retaliação, da mesma maneira. O mandamento, portanto, é uma rejeição do princípio de que, nos relacionamentos humanos a pessoa pode vingar-se dos malfeitores ao tratá-los da mesma maneira. O verdadeiro cristão não deve “retribuir mal por mal” (vc 15). Quando maltratados, precisamos suportar com paciência
(I Pe. 2:20), seguindo o exemplo de Cristo (I Pe. 2:23). Cordialidade, amor profundo e prontidão em perdoar são características necessárias que um cristão deve ter. (Mt. 5:38-48; Lc. 23:34; Ef. 4:32; Hb. 10:32-34). Em contrapartida o apóstolo exorta a que “sigamos sempre o bem”. Literalmente significando a tomada de posição no sentido de sempre beneficiar a outros, ao invés de prejudicá-los. Temos que lutar visando o bem-estar dos nossos semelhantes, sempre em contraste com o sentimento de vingança.
IV – Praticar a retidão (5:16-28)
A seguir, o apóstolo Paulo termina a 1ª Carta aos Tessalonicenses com uma série de exortações que abrangem vários aspectos da vida cristã.
- Uma vida de oração e gozo (5:16-18): O apóstolo Paulo descreve três características típicas do crente:
- a primeira destas atitudes é resumida como: “regozijai-vos sempre”. O cristão alegra-se a despeito das aflições, tribulações e lutas, haja vista, reconhecer que elas terão resultados positivos e benéficos (1 Pe. 4:13). Sejam quais forem as circunstâncias que querem abater o cristão, ele saberá elevar-se acima delas. A comunhão que o crente mantém com Cristo outorga-lhe uma alegria permanente e profundamente arraigada que o capacita a lidar com decepções e vê-las na sua perspectiva certa. A alegria do crente é originária do Espírito Santo (Rm. 14:7), e é uma das facetas do fruto do Espírito (Gl. 5:22-23).
- A segunda atitude é descrita como “orai sem cessar”. O pensamento de Paulo estava sempre voltado para esta realidade (Rm. 12:12; Ef. 6:18; Cl. 4:2). Por diversas vezes em suas epístolas o apóstolo evidencia o seu próprio exemplo como homem de oração (Rm. 1:9). Não existem horários estabelecidos para oração, mas sim, que os cristãos devem viver em tal comunhão com Deus que a oração, quer verbalizada ou em espírito, será sempre natural. A oração é a força propulsora da vida espiritual. Ela não é apenas uma formalidade ou prática exterior, é, acima de tudo, uma atitude da alma. Semelhante oração será uma fonte de forças para aqueles que enfrentam lutas e tribulações. Faucett nos estimula a “fomentar” o espírito de oração e que a oração seja a nossa principal ocupação. “Oremos sem cessar”.
- A terceira atitude é descrita como: “em tudo dai graças” (Ef. 5:20; Cl. 3:17). Deus pretende que seu povo seja feliz e goze a paz, embora sua vontade para ele possa incluir circunstâncias difíceis e provações. A ação de graças e o louvor darão vitória à alma, criando o espaço para a alegria e o gozo em lugar do desespero. A vontade soberana de Deus é que o cristão possa compreendê-lo e obedecê-lo sem reservas. Como diz o poeta sacro: “em vez de murmures e lamentares, cante um hino de louvor a Deus”.
- Uma vida de obediência e santificação (5:19-22): Nesta seção o apóstolo relata um conjunto de quatro regras que estão voltadas especificamente para a vida da Igreja e que dizem respeito ao lugar do Espírito Santo e de seus dons.
- Não apagar o Espírito (vs. 19). Na verdade, não podemos vencer vícios e pecados, sermos crentes fervorosos e sinceros e praticarmos o autêntico louvor, sem a atuação diária do espírito em nós. A palavra “apagar” ou “extinguir”, figuradamente significam “SUPRIMIR”, simbolizando alguém que não permite a ação e manifestação do Espírito Santo. Suprimir o Espírito é extinguir suas inspirações interiores, recusar-se a obedecer a sua voz, constituindo um pecado que, conseqüentemente, trará prejuízos à vida espiritual. O maior privilégio do crente é ser “cheio do Espírito” (Ef. 5:18). É o Espírito Santo quem forma a imagem de Cristo no crente e nos outorga todas as virtudes da vida cristã e poder para a realização da obra de Deus. Permita que Ele aja com liberdade em sua vida e em nossa igreja.
- Não desprezar as profecias (vs. 20). É importante notarmos que o apóstolo Paulo enfatiza, em 1Co. 14:1, a importância do exercício do dom profético como uma necessidade da igreja local. O profeta fala aos homens “edificando, exortando, consolando”. Deus nos exorta com esta palavra a estimar, considerar e apreciar aquilo que os profetas dizem. Desprezar a profecia incorrerá em um grave erro da igreja em rejeitar a orientação divina.
- Julgar todas as coisas (vs. 21). O apóstolo usa o verbo grego “dokimadzo”, que significa provar, testar, examinar. Esta exortação aplica-se largamente a muitos aspectos da vida cristã, mas no texto em pauta sugere que os dons devem ser examinados com discernimento para serem evitados erros e heresias no seio da Igreja. Devemos julgar aos espíritos para ver se realmente procedem de Deus (1 Jo. 4:1).
- Abster-se do mal (vs. 22). Precisamos manter distância, nos afastarmos da prática do mal. O crente é um ser transformado, uma nova criatura. Praticar o mal significa retroceder na vida cristã. O verdadeiro crente procura evitar até mesmo a aparência do mal e, com sabedoria, rejeitar todas as suas formas.
V – Conclusão
Paulo encerra esta primeira epístola com uma oração que expressa o intenso desejo de ver aqueles irmãos serem santificados integralmente (corpo, alma e espírito) e conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de Jesus (vs. 23). Este também é o desejo dos valorosos ministros de Deus, que presidem a Igreja de Cristo. Na sua vinda, Cristo arrebatará uma Igreja santa e irrepreensível. Aleluia!
Pr. Joiadas Soares de Souza |