Praticando o Evangelho
"O genuíno cristão não deve trabalhar para glória e louvor dos homens, mas para glória e louvor de Cristo Jesus ". (1 Ts 2:1-12)
I - A Vida de Paulo
1. Uma Vida Frutífera
O tempo que o apóstolo esteve em Tessalônica não foi em vão. Apesar de todas as lutas e mal tratos, ele aproveitou todas as oportunidades para com ousadia proclamar o evangelho da graça.
Falsos mestres o acusavam de fraudulento e o criticavam arduamente. No entanto Paulo se defendeu ressaltando os frutos de seu trabalho naquela cidade "a nossa estada entre vós não se tornou infrutífera".
Nós fomos escolhidos por Cristo para darmos frutos e frutos permanentes (Jo 15:16). Quando frutificamos, demonstramos que o poder do Espírito Santo reside em nossas vidas e que estamos qual vasos limpos e consagrados a mercê de Deus. Nosso ministério deve redundar em resultados definidos, portanto não podemos ser inúteis.
2. Uma Vida Pura
Paulo declara com veemência que sua mensagem não foi regada com engano, impureza e dolo, mas sim com o poder do Espírito Santo.
O compromisso do apóstolo, como o da igreja é transmitir a "Mensagem de Deus" com pureza e unção. Devemos viver aquilo que pregamos e ensinamos. Deus requer de nós pureza, sinceridade e santidade (1 Pe 1:13-16).
A nossa pregação deve ser verdadeira, pura e honesta, combatendo decididamente as heresias e as astúcias de Satanás. Há Muitas pregações baseadas em dolo, que no grego indica "truque", "ludibrio", "astúcia maligna".
O apóstolo Paulo não era um impostor, um falsificador, como muitos que tem surgido em nossos dias ludibriando, enganando os incaltos, prendendo-os com suas doutrinas malignas (2 Tm 4:1-4; 1 Tm 4:1-5).
3. Uma Vida Aprovada por Deus
A obra que realizamos não é nossa e sim do Senhor e certamente cabe exclusivamente a Ele aprovar e desaprovar todas as coisas. O apóstolo nos outorga a lição maravilhosa de que Deus tem confiado a nós o evangelho não para que possamos agradar a homens e sim a Ele que conhece e prova os nossos corações.
Paulo jamais usou "palavras losonjeiras" para conseguir algum fim egoísta. Deus era testemunha de sua sinceridade e desinteresse.
Que integridade possui o apóstolo ao evocar a Deus como sua testemunha! Quantas vezes ficamos preocupados em agradar a homens e de receber suas glórias, nos esquecendo que a honra e a glória pertencem ao Senhor e que Ele mesmo dará a cada um segundo as suas obras. (1 Pe 5:1-4; Ap 22:12).
II - O Procedimento de Paulo
"O que fazemos fala tão alto que os outros não podem ouvir o que dizemos".
As epístolas enfatizam com maior veemência o que somos e o que fazemos.
1. Amor Fraternal
"... qual ama que acaricia os próprios filhos".
A palavra "acaricia" significa uma mãe que amamenta seus filhos e cuida deles. Esta figura exprime grande dedicação por parte dos líderes da igreja e mostra um profundo laço de amor entre eles e aqueles a quem ensinam e cuidam.
Jesus exige que cada pastor ame as ovelhas da mesma forma que Ele nos tem amado. (Jo 15:13).
Uma babá profissional toma conta de crianças que não são suas, pois é seu dever, mas, com certeza, tem maior cuidado, amor e ternura para com seus próprios filhos.
Paulo se colocava na posição de mãe dos tessalonicenses, daquela que gerou com amor dispensando-lhe todo cuidado e carinho.
A igreja de Cristo é muito mais do que simplesmente um centro de adoração, louvor, pregação e oração, é um lugar onde novos crentes em Cristo podem reunir-se e serem devidamente alimentados.
2. Amor Sacrificial
Os líderes e as igrejas de nosso século necessitam copiar o exemplo do apóstolo Paulo. No texto em pauta duas verdades profundas são declaradas:
a) Oferecimento do evangelho;
b) O oferecimento da própria vida. O genuíno evangelho das primícias. O maior bem que podemos oferecer ao mundo é a verdade patente do evangelho poderoso de Cristo, que liberta, transforma e salva o homem, bem como nossa própria vida a serviço da causa gloriosa de Cristo, negando a nós proprios e oferecendo-nos inteiramente ao ministério que fomos chamados (Fl 3:7-8; Fl 1:21; At 20:24).
2. Amor Exemplar
Deus está constantemente interessado no modo pelo qual nos comportamos. Nosso modo de viver fala mais alto do que as nossas palavras.
Um dos principais obstáculos para a salvação de muitas vidas é a maneira vil que muitos crentes profanos vivem. Ouvem uma coisa de seus lábios, mas observam outra completamente diferente em suas vidas.
Precisamos viver de maneira piedosa, justa e irrepreensível. O mundo deve ver a imagem de Cristo cunhada em nossa vida e caráter. O crente é luzeiro do mundo (Mt 5:16).
Os versículos 11 e 12 ressaltam o interesse do indivíduo, evidenciando que o ministério da igreja deve ser pessoal, cuja preocupação é a transformação e amadurecimento de casa vida pertencente ao grupo. De que forma podemos realizar este ministério?
O apóstolo nos dá a receita: exortando, consolando, admoestando. É mister a igreja lançar mão destes três princípios básicos para que cada crente viva de modo a honrar, glorificar e enaltecer o nome do Senhor Jesus Cristo, que nos tem chamado para o Seu reino e glória.
Somente o ensino da Palavra de Deus, repleto do Espírito Santo, produzirá crentes piedosos que "... viverão por modo digno da vocação em que fomos chamados" (Ef 4:11-16; Tt 1:1; 1 Tm 6:3).
III - Conclusão
Ao estudarmos esta pssagem em que Paulo se defende de acusações ao seu ministério, nos entristece o fato que nem se viu livre de mentiras, calúnias e falsas acusações que procedem de corações invejosos e maliciosos.
Mas por outro lado, este quadro do pastor cristão traçado com tanta sinceridade e honestidade, nos ensina a estarmos alerta contra a tentação da avareza e ambição, nos estimulando a valorizar a pureza, a ternura, a abnegação e a fidelidade, procurando agradar exclusivamente aquele que nos chamou e que é digno de toda honra e glória.
Pr. Joiadas Soares de Souza |