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ARTIGOS  

O Ópio do Povo

O conceito comum de religião citada freqüentemente por ateus e marxistas tem origem em uma declaração do pensador Karl Marx de que “a religião é o ópio das massas”. Segundo o seu conceito, a religião é vista como um estimulante atraente para os deprimidos, os abatidos e os fracos. Homens e mulheres derrotados pelas duras realidades da vida recorrem a religiosidade como um meio de encontrar consolo e apoio psicológico.

Diante desta conceituação, muitos declaram veementemente não sentir necessidade de religião e que não precisam de Deus, baseados na suposição de que a questão religiosa não passa de um assunto meramente subjetivo ou puramente fruto de emoções envolvendo preferências pessoais geradas por carências e debilidades individuais.

O homem contemporâneo busca compreender a origem da religião e a realidade da existência de Deus para responder aos próprios questionamentos de sua alma e os seus anseios interiores, que não são supridos simplesmente pela fonte inesgotável do conhecimento e nem pelo aumento da intelectualidade. Na verdade, em meio às pressões externas que teimam suprimir e subjugar as necessidades da alma, o homem, comumente, responde que Deus existe, dadas as pressões dos temores e fraquezas humanas.

O grande psicanalista, Sigmund Freud, ao tentar descobrir a origem da religião, criou a absurda teoria de que o homem inventou a religião como uma forma de domar as forças naturais. Segundo sua teoria, existem elementos que parecem zombar de todo o controle humano: a terra que entra em convulsões se parte e sepulta toda a vida humana e suas obras, a água sobe e afoga tudo em turbilhão, as tempestades levam o que quer que esteja à sua frente e, finalmente, o penoso enigma da morte, contra o qual nenhum medicamento foi ainda encontrado e provavelmente nunca será. Mediante essas forças, a natureza se levanta contra nós, majestosa, cruel e inexorável, trazendo à nossa mente mais uma vez as nossas fraquezas e desamparo.

Diante da iminente ameaça da natureza, Freud vê o homem atravessando um processo de humanização e personalização da natureza. Segundo ele, a religião atribui características e personalidade a forças que são impessoais, como terremotos, maremotos, tempestades e catástrofes. Partindo desta premissa é que o homem desenvolve uma religião moderna, complexa e inconcebível. Mediante a religião, a natureza se torna sagrada em pessoa, de modo que seu poder ameaçador seja controlado.

Do ponto de vista de Karl Marx, a religião tem origem e função primordialmente econômicas. Ele vê a religião como sendo inventada pelas classes econômicas predominantes. E tais classes detêm o poder, inventam uma religião que tem como principal interesse salvaguardar a sua autoridade e domínio sobre as massas. Nesta linha de pensamento, a religião serve para evidenciar virtudes que monopolizam e manobram os indivíduos que são massificados pela idéia de trabalho, serviço, humildade e obediência.

Segundo Karl Marx, a religião outorga também conforto e consolo aos fracos e carentes, dando-lhes uma áura de dignidade “Espiritual”, oferecendo-lhes a promessa de uma vida repleta de paz, gozo e felicidade. É lógico que só alcançará tal promessa aquele trabalhador que não se envolver em revoluções violentas e abdicar do amor ao dinheiro.

Em contrapartida, os ricos gozam plenamente de todas as delícias do mundo no presente. Quanto às massas, estas vão vivendo embriagadas pela ética e promessas de uma vida feliz pela ótica puramente escatológica. Esta situação é comparada a uma espécie de ópio, deixando as massas oprimidas, carentes, derrotadas, enfraquecidas e mantidas num esturpor eufórico.

Ao longo da história da humanidade, outros pensadores desenvolveram teorias similares sobre a origem da religião, entre os quais destacamos gente renomada, como Sartre, Nietzche, Russel e Feuerbach. Embora haja diferenças nos detalhes destas teorias, todas contêm um ponto em comum de argumentação, que pressupõe que a religião teria origem e sustentação nas necessidades psicológicas do ser humano.

Arfurtando as respectivas teorias, é importante esclarecer algumas idéias principais. Evidentemente que não se pode discutir que o indivíduo tenha imaginação criativa e capacidade para transformar suas fantasias em teorias e sistemas religiosos completos. E não podemos, em hipótese alguma, negar que na religião o homem encontra um recurso importante de paz, conforto e consolo para sua vida diária.

Não desejamos discutir a idéia de que o ser humano é levado freqüentemente para a religião pelas necessidades emocionais que motivam a buscar sentido para a vida.  Como também não se discute que a religião tem sido empregada inúmeras vezes na história humana como um habilidoso instrumento de massificação, dando ensejo a uma exploração desenfreada por parte dos poderosos.

No entanto, o mesmo argumento reflete também a realidade do ateísmo. Notadamente, percebe-se que existem profundas razões psicológicas que levam os indivíduos a rejeitarem a religião. Situações vivenciadas que culminaram em traumas pessoais e levaram as pessoas a desacreditarem no sistema religioso, constituindo em motivos inconscientes para rejeição total da fé e da religiosidade.

Entretanto, percebe-se também que o ateu tem seus interesses pessoais. O homem sobre, o qual pesa uma culpa muito grande deseja, veementemente, que não haja um Deus a quem ele haverá de prestar contas de todos os seus atos.

Pr. Joiadas Soares de Souza