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ACONSELHAMENTO  

Como cuidar do Ser
(Parte I)

Há uma vasta literatura sobre aconselhamento que pode ser muito útil para todos aqueles que desejam trabalhar neste ministério. Porém, o livro “Cuidando do Ser”, de Albert Friesen, detalha muito bem os procedimentos que devem ser seguidos.

Você vai conhecer agora, neste breve resumo do livro, quais são os cuidados que se deve ter na hora de atender a uma pessoa que necessita de atenção, qual a postura do conselheiro pastoral, comportamento etc. O texto foi dividido em duas partes.

O que é Aconselhamento Pastoral?

De acordo com o autor Albert Friesen, o aconselhamento é um relacionamento interpessoal no qual o conselheiro ajuda o indivíduo a ajustar-se consigo e com o meio em que vive, auxiliando-o a resolver seus conflitos.

Hoje, diante de tantos problemas que as pessoas vêm enfrentando no seu dia-a-dia, as igrejas estão percebendo a necessidade de ajudar as pessoas tanto do ponto de vista espiritual quanto emocional. Porém, o conselheiro pastoral deve levar em conta a alma do indivíduo, que é onde se concentram nossas emoções e desejos.

É no aconselhamento que se desenvolve o diálogo que vai levar o aconselhando a romper com a vida nas trevas e com as atitudes inadequadas. Observa-se que a psicologia e o aconselhamento pastoral complementam-se nesse trabalho. Para isso o conselheiro deve conhecer um pouco de psicologia para entender melhor o comportamento humano e poder direcionar melhor o aconselhamento. Entretanto, para ser um bom conselheiro é preciso ainda ser uma pessoa saudável, equilibrada, envolvente e saber tratar o outro com amor.

Friesen, deixa claro que o aconselhamento espiritual é importante porque ajuda o indivíduo a encontrar seu caminho, especialmente no que diz respeito ao lado espiritual. Deve-se trabalhar com ele individualmente (pessoalmente) em assuntos como medo, fobia, depressão etc. Inclusive pode-se fazer o aconselhamento àquelas pessoas não convertidas, aproveitando a oportunidade de apresentar-lhes o Evangelho.

Além de trabalhar com problemas específicos, o conselheiro pastoral trabalha com profundidade, como Jesus fazia curando pessoas (Deus cuidava de cada um individualmente). Segundo o autor, devemos nos valorizar para que possamos levar o aconselhando a se valorizar também.

A quem recorrer?

O indivíduo doente procura em sua igreja pelo pastor ou outra pessoa em quem confia para poder se abrir, alguém que seja simpático e não faça pré-julgamentos. O conselheiro deve saber que seu trabalho consiste em encontrar o fato que está levando o aconselhando ao problema, podendo orientá-lo adequadamente de forma que este entenda o que se passa com ele e consiga mudar suas atitudes.

O conselheiro deve prestar atenção em alguns pontos:

  1. Deve atuar com profissionalismo e ser sigiloso para levar o indivíduo a se sentir aceito, sem julgamentos, com igualdade e respeito;
  2. Deve se dispor ao aconselhamento e ter embasamento teórico sobre aconselhamento pastoral e sobre o comportamento humano;
  3. Deve estar atento à metacomunicação, ou seja, à expressão do rosto, tom de voz, gestos etc. É preciso ter sabedoria para lidar com o outro, vendo-o com amor e compaixão. Contudo, antes de mais nada, é preciso compreender a si mesmo para depois compreender as necessidades do aconselhando.

 

O conselheiro precisa:

  1. Ter coragem, pois a dor do outro lembra a sua própria;
  2. Ter compaixão – saber se importar com o indivíduo;
  3. Ser imparcial – saber lidar com suas emoções.

O ser humano deve analisar os motivos que o levam a trabalhar com aconselhamento, como o chamado de Jesus e os motivos pessoais. Porém, o conselheiro deve observar algumas características que facilitam os resultados do aconselhamento, como:

  1. Autenticidade
  2. Receptividade com distanciamento
  3. Empatia apurada

 

A Palavra de Deus

A palavra é algo extremamente importante para a comunicação entre as pessoas e foi através dela que Deus criou o universo. A palavra através da Bíblia é capaz de dar vida e de transformá-la.

Ela é um instrumento do aconselhamento pastoral, que a utiliza para curar, libertar e abençoar. Segundo o livro “Cuidando do Ser”, a conversação pastoral deve apresentar uma dimensão de profundidade espiritual e emocional, que leve ao crescimento do aconselhamento. Deve oferecer uma percepção da amplitude do problema, fazendo-a perceber o todo. Deve ser feita uma abordagem não-diretiva, útil nos casos de cristãos rebeldes, amargurados ou agressivos.

O objetivo da abordagem não-diretiva é amparar/proteger o indivíduo. Neste caso o aconselhando define a direção a ser tomada e a intervenção do conselheiro. As pessoas começam a ver a si mesmas, chegam a conclusões e tomam decisões, assim como Jesus, que mudava o rumo da conversa para fazer a pessoa entender seu problema e mudar por si mesma.

Já a abordagem diretiva prevê a exortação. Neste caso o processo da conversa é conduzido pelo exortador/conselheiro.

O aconselhamento diretivo é constituído por três elementos:

  1. Efetuar mudança de conduta e personalidade através do ensino;
  2. Os problemas são resolvidos por meios verbais, palavras de encorajamento;
  3. Mudança de caráter do aconselhando.

No aconselhamento é importante que haja ética e sigilo profissional, pois o aconselhando não quer ver seus problemas expostos para toda a igreja. O conselheiro não pode envolver outras pessoas no assunto sem a autorização do aconselhando.

Resumo do trabalho apresentado ao Instituto Bíblico do Brasil
Aconselhamento Pastoral- 2005

Silvana Ornelas Coelho
Jornalista
e-mail: redacaounida@uol.com.br